Destino? Felicidade e Respeito!

  • Se queres a vida de princesa de volta tens muito que penar! – disse rude. Olhei para o jovem que pensava conhecer. Refleti sobre o que acabara de ouvir. E pensei se valia a pena. Se o que eu queria era passar mais umas quantas noites a chorar e sem dormir a pensar no mal que lhe tinha feito e aonde é que eu tinha errado.

Se o que eu queria para o meu futuro era estar sempre sentada no banco dos réus na minha relação! Se o que eu queria era sentir-me mal e uma marioneta! Olhei para os meus pulsos e não vi nenhuma corda que ligasse a uma cruzeta. Então nada me prendia a este futuro cinzento!

Será que…ele alguma vez vai perceber o que fiz por ele? Espero que sim, talvez quando o egoísmo o deixar em paz e os pés voltarem a tocar a realidade.

Peguei na mala que estava ao meu lado e coloquei a alça no ombro, respirando fundo e encarando os seus olhos.

  • Não é princesa que quero ser! É bem tratada apenas! – sorri-lhe com toda a doçura e sentimento que ainda nutria por ele. – Mais do que te amar, tenho de amar-me primeiro. Sê feliz.

Virei costas tentando conter as lágrimas. Atirei com a mala para os bancos de trás do carro e entrei para o lado do condutor.

Não sabia para onde ia. Mas sabia que tinha de ir.

Quando dei por mim estava na autoestrada 25 em direção a Vilar Formoso. Liguei o rádio para tentar fugir às lágrimas que queriam escorrer.

Tocava uma música que me era conhecida. E a cada verso memórias invadiam-me.

“As cartas que eu um dia te escrevi
foi para te contar tudo o que sou
Na escola em que eu te conheci
Um beijo teu tudo mudou”

Não tinha sido na escola que o tinha visto…mas tinham sido as cartas trocadas que me fizeram apaixonar. E naquele momento…eu não estava no carro…estava sentada nervosa à espera dele. Os sorrisos largos que nasciam mal nos víamos tinham voltado. Os abraços calorosos e a segurança nunca tinham deixado de existir. Era a minha Utopia temporária diante dos meus olhos. Ele sempre carinhoso. Sempre com uma rosa para me florir o dia.

Mas o tempo levou o carinho, levou a proteção e as rosas murcharam. Só restava rancor, tristeza. E o amor? Virou guerra. Os beijos eram balas. Os abraços espingardas. E ele? Era o medo. Um conto de fadas tinha-se tornado em campo de batalha.

Sentia que vivia o meu conto de fadas, só não tinha percebido que nada era perfeito e que eu estava totalmente iludida.

Olhei em frente e vi o sol a despedir-se por detrás de uma serra. Talvez ele fosse a pessoa certa e eu não tivesse percebido isso ainda. Mas sabia que a pessoa certa para mim jamais me trataria mal dias e dias sem se cansar.

Tínhamos prometido por infinitas vezes sermos para sempre. Voltei a minha atenção para a música:

“Quando páro e preciso tu estás aqui
Quero crescer assim
Não quero escrever o fim desta canção.”

Sorri e desliguei o rádio. Ele não estava mais aqui. E eu? Tinha finalmente escrito o fim da canção.

Para onde ia, eu não sabia. Liguei o GPS e a voz programada perguntou ” Qual o destino?” e eu respondi:

  • Felicidade e Respeito. É para lá que eu vou!

 

Espero que tenham gostado deste devaneio!

Beijinhos viçosos,

A Alfacinha. 

Comments

  1. Array

    Delícia de ler o seu texto. Escrita leve e inspiradora. Inclusive compartilhei no meu face. Você quebra uma questão de aceitação ( princesa) e se coloca como protagonista. Amei. parabéns.

    1. Post
      Author
      A Alfacinha

      Olá Meirilene! Obrigada por teres comentado, gostado do texto e partilhado. É muito bom saber que gostaste!

  2. Evandro

    Quantas vezes nos sentimos sem rumo, diante de escolhas feitas e não feitas? Ficamos à deriva, sem conseguir distinguir o que a bússola indica. Atados à sentimentos vulneráveis. adorei o texto.

  3. Amilton Júnior

    Grande texto! Por mais que nos doamos a alguém nem sempre seremos recompensados por isso, não que nosso propósito em amar seja receber algo em troca, mas o mínimo de amor devolvido é o que esperamos. Se não encontraremos tal coisa em quem queremos ao nosso lado, que sigamos nosso destino rumo à felicidade e ao respeito que apenas nós podemos nos dar!

    Abraços!

  4. Cidália

    Muito bom esse devaneio! Penso que foi o tempo em que uma pessoa era obrigada a levar adiante um relacionamento desrespeitoso. Se algo não vai bem o melhor a fazer é deixar tudo para trás e sair em busca da felicidade.

  5. Liane Patrícia

    Simplesmente perfeito. Amor próprio em primeiro lugar. É tão bom quando a gente enxerga que o contos de fadas não é tão mágico assim. E que o príncipe na verdade é um sapo, ou um ogro. O que na verdade nem queremos príncipe encantado e muito menos sermos princesas, queremos respeito e um homem que nos ame de verdade.

  6. Menina Risonha

    Aquela coisa , Deus é tão generoso que te dá a liberdade de plantar o que você quiser… Mas não se esqueça que Ele é tão justo que você colhe exatamente o que plantou!

    …… Parabéns pela escrita, você escreve muito bem !!!!!!!

  7. Thais Rodrigues Viana

    Seus posts são sempre tão lindos! E toda vez que visito seu blog penso no quanto ele é leve, sem poluição visual e ao mesmo tempo com detalhes super fofos, continue sempre com esse ótimo trabalho, postando cada vez mais ♥

    Beijos!

  8. lenny

    Eu amei o seu texto. É bem tratado apenas … Uma vida significativa está próxima, mas em pontos importantes, de uma vida feliz. “Seu texto é um reflexo que me vi como um espelho.”

  9. cila-leitora voraz

    Oi Alfacinha, sua linda, tudo bem?
    Adorei seu texto. Nos tempos de empoderamento feminino, a mensagem que você trouxe é muito importante, às vezes não enxergamos o quanto um relacionamento é tóxico, fazemos uma imagem da pessoa que não é real. Gostei do fim quando há o término desse relacionamento, pois muitas mulheres não conseguem ir embora.
    beijinhos.
    cila.

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