O fim do Reinado de “Os Maias”

Minhas Alfaces viçosas,

É oficial! O Carlos da Maia e o João da Ega falharam a vida! (É certo que já sabíamos disso, não é? Afinal…eles anunciaram o dito no fim do livro mas…este falhar é diferente daquele a que nos habituámos.

Minhas Alfaces…eles deram-se tanto ao diletantismo que, acabaram por perder a obrigatoriedade de serem lidos por nós! É verdade! Pessoal que ingressa o 11ºano já não terão de ler a vida atribulada do Carlitos. Não sabem quem é? O Carlitos é um rapazito bem parecido que tem uma grande crush pela mana desaparecida, a Maria Eduarda que foi levada pela doida da mãe!

No passado dia 18, o jornal Público lançou a notícia de que “Os Maias” obra de Eça de Queirós deixaria de ser leitura obrigatória. Confesso que, por um lado fiquei surpreendida. Eu, fui aluna do 11ºano no ano letivo passado e…lembro-me de estar a falar desta obra cá em casa e de os meus pais dizerem “Ah! Nós também demos isso! O Carlos da Maia que teve um caso com a Maria Eduarda…” e…eu pensava “Eles já fizeram o 11ºano há quase duas décadas! Céus isto é mesmo velho!”. Vejam por isso… o tempo que “Os Maias” têm a serem leccionados dentro das salas de aula portuguesas! É realmente muito.

Há obras que nos marcam e que nos dão ensinamentos que levamos para a vida. Por exemplo, a obra de Saramago, ” O Ano da Morte de Ricardo Reis” leccionada este ano no 12º, marcou-me. Confesso que, ao início estava relutante por ser de Saramago e por a sua escrita ser um tanto difícil à primeira vista mas, quando dei por mim estava apaixonada pela obra. Apaixonada pela personagem de Lídia e de Fernando Pessoa (a minha paixão por ele só aumentou. Passou a ser um amor louco, por isso…não façam pouco!) Todavia, há outras que…não nos dizem nada. Por exemplo, o “O sentimento dum Ocidental” de Cesário Verde, “Amor de Perdição” de Camilo Castelo Branco, pessoalmente, não me disseram nada. Foram domínios que tive de perceber para os testes e exame.

Portanto, concordo com esta alteração. Acho fantástico começarem a fazer uma reforma ao Plano Curricular. Ajuda os alunos que, vão aferir novos conhecimentos e, acho que também motiva quem lecciona que deixa de estar naquela monotonia de se sentirem papagaios a repetir todos os anos as mesmas obras. Mas…também sei que, os professores terão de se debruçar sobre outras obras de Eça, e de as trabalhar para poderem ter conteúdo e modos para que os seus alunos as entendam. Sou filha de uma professora…por isso…percebo o outro lado de uma sala de aula.

Para quem não vai ter de aturar, as cem páginas a descrever os jardins do Ramalhete, como se isto fosse um leilão de imobiliários (Excelentes espaços verdes. arbustos bem podados, relva sem bichinhos perfeito para sentar o rabiosque. Casa enorme demora cerca de duas semanas a limpar. Tudo isto pode ser seu por…100 páginas! Não perca esta oportunidade!) , digo já que és um sortudo!

Mas…vais perder aquela telenovela amorosa do Carlos com a Maria Eduarda (que…por acaso é irmã dele). Os projetos de Santa Engrácia (isto porque ele nunca os terminou)  do João da Ega e os seus dotes de sedução.

Apesar de tudo, tem partes com bastante sentido de humor que, sem darmos conta estamos no meio da sala de aula a rir.

Portanto…malta que, se viu livre do clã “Da Maia” e companhia limitada, aconselho-vos a mesmo deixando de ser leitura obrigatória a ler. É uma obra que vale a pena. É mais um livro que fica na vossa lista. Mais um conhecimentozinho que fica com vocês e…vá lá…o Eça nem é assim tãooo secante!

Vemo-nos no próximo post.

Beijinhos viçosos,

A Alfacinha.

Comments

  1. Jonizinho

    Mais um post fantástico.
    Continua a maravilhar nos com tua escrita…
    Continua…este excelente trabalho.
    Beijos alfacinha 😘

  2. Margarida

    Na realidade os Maias são uma obra icónica. Realizou-se até uma caminhada em Lisboa com percurso por locais referenciados no livro(“A Lisboa d’Os Maias”).
    De facto, é necessário modernizar e revitalizar o ensino…mas será que é isso que vai acontecer? Aguardemos…

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      A Alfacinha

      É verdade…não participei nessa caminhada. Contudo, fiz o Roteiro Queirosiano em Sintra. Quem diria que ia estar à porta do lugar de onde um amor impossível começou.

      Beijinhos

  3. Erica Horn

    Muito interessante a sua reflexão, que as novas histórias sejam tão envolventes como essas. Já quando era novinha, adorei sofrer os amores incorrespondidos de “Amor de Perdição”, mas talvez se lesse hoje já não teria o mesmo envolvimento.

  4. Miguel curado

    Tão bom é gratificante ver um blog jovem sobre um tema diferente das futilidades e patetices habituais
    Sobre os maias acho deplorável a decisão. Apesar de pessoalmente não gostar da obra por achar que ela faz as pessoas do presente prenderem se demasiado a um Portugal que está morto, acho pessimamente que ela seja cortada dos currículos

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